Água: Fonte de Vida

   

A água enquanto origem de tensões

 

      Quando o Homem começou e crescer e a multiplicar-se no planeta que tinha sido posto à sua disposição, pareceria decerto fácil aos responsáveis das comunidades emergentes, a tarefa da gestão dos bens naturais disponíveis (comuns, abundantes e desprotegidos).

      A noção e o exercício da posse desses bens eram, no início, actividades feitas numa base grupal, começando nas famílias, o núcleo clássico básico e crescendo a partir delas.

      A preferência pela instalação de povoações, ou dos seus primórdios, nas costas, nos rios e lagos, ou em planícies férteis correspondia às opções possíveis (e mais lógicas), de quem dependia em tudo do exterior. Com o efeito, dependiam da água potável, dos frutos e das plantas, em especial das que, ao longo dos tempos, haviam aprendido a utilizar em seu proveito. Do mesmo modo, dependiam da caça e da pesca, que conseguiam capturar. Dependiam também dos abrigos naturais que iam descobrindo e, de acordo com as necessidades, ocupando e humanizando. Ou dos refúgios que, a pouco e pouco, haviam aprendido a construir.

      O crescimento desses grupos, a sua multiplicação e expansão continuadas estiveram, naturalmente, na base da competição que se estabeleceu entre eles, dando origem e disputas. Essas disputas resultavam da competição por bens disponíveis, ou pela ocupação de locais, para onde, uma vez esgotados os recursos disponíveis num determinado lugar, alguns desses grupos eram obrigados a migrar.

      A noção de posse de bens, de qualquer tipo, passou a ser um reflexo do exercício da força, qualquer que fosse a forma sob a qual ela se traduzia. A posse, mais ou menos individualizada, de bens materiais de todo o tipo resultante de rapinas e de vitórias com a eliminação dos mais fracos, hierarquizou as sociedades em evolução, dando lugar à criação de classes. Assim, apareceram as classes dos senhores e dos servos, ou seja, a classe dos que tudo tinham e a daqueles que apenas procuravam sobreviver (quando o conseguiam).

     As diferenças entre indivíduos e nações existiram desde sempre, pelo que a sua repartição foi sempre efectivamente desigual. Primeiro, porque, na verdade, as necessidades não eram iguais e, depois, porque elas não são, na realidade do quotidiano, nem uniformes nem constantes.

     Ao longo da história, tal como hoje, o problema da cobertura ou, melhor ainda, da satisfação das necessidades do género humano não é um problema de produção, mas sim um problema de repartição.

      A posse e o uso da água estiveram na base de um sem número de disputas, entre nações, entre senhores e entre cidadãos (e mesmo entre servos).

      A tensão ambiental é, simultaneamente, causa e efeito da tensão política e de conflitos militares... É provável que esses conflitos aumentem à medida que vão escasseando os recursos (ambientais) e se agudize a competição à sua volta.

      A lista de recursos essenciais ou de valor estratégico necessários à sobrevivência, ou ao desenvolvimento, tais como a água ou o petróleo, que estão ou estiveram na base de conflitos armados, não pára de crescer.

      A quantidade hoje disponível poderia ser idêntica à que existia nos primórdios da humanidade, caso a poluição não tivesse limitado a capacidade de uso em volumes crescentes. O aumento da população fez diminuir os quantitativos disponíveis per capita. E à medida que a população crescer, menor será esse volume.

      Por outro lado, cerca de dois terços da água não é aproveitada pelo Homem, chegando ao mar sem ter sido usada.

      O consumo de água para irrigação aumentou 30 vezes nos dois últimos séculos, para viabilizar a instalação de zonas de agricultura intensiva em regiões áridas.

     O abuso do uso da água tem como consequência o facto de alguns dos maiores rios do planeta não terem água suficiente para manter o seu curso normal. Será o caso do Indo e do Ganges, no subcontinente indiano, do rio Amarelo, na China, e dos rios Amu Darya e Syr Darya, na bacia do mar de Aral, que estão, nalguns anos, longos meses sem terem água.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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